Simpósio Danfoss

  • Entrevista com Roberto Lamberts, professor titular do departamento de engenharia civil e do laboratório de eficiência energética em edificações da Universidade Federal de Santa Catarina.

    - Quais são os principais desafios para obter eficiência energética em edifícios comerciais?

    Precisamos de uma envoltória (janelas, paredes e cobertura) que minimize a carga térmica externa e sistemas de iluminação e de condicionamento de ar de alta eficiência. Para isto, o desenvolvimento de um projeto integrado visando alta eficiência é a premissa básica. A simulação termo energética ajuda na otimização de soluções na etapa de projeto. Mas isto é apenas o início para um projeto eficiente. Depois precisamos garantir que o projeto seja bem executado, que os sistemas sejam comissionados adequadamente e que finalmente o edifício seja operado de forma eficiente.

    - Quais são as principais tendências em tecnologias de HVAC para eficiência energética no segmento?


    Em pequenas salas comerciais o split é muito usado ainda. Contudo, temos máquinas pouco eficientes. Para se ter uma ideia, os splits mais eficientes (categoria A no Inmetro) são equivalentes ao menos eficientes na China. Os splits com tecnologia inverter são os mais eficientes. Em grandes edifícios, os sistemas mais usados são os de água gelada e VRF, sendo que sistemas de estoques em água gelada podem ajudar a gerenciar a carga e reduzir a conta de energia. A eficiência das grandes máquinas tem evoluído, mas, infelizmente, no Brasil ainda não temos obrigatoriedade de medição da eficiência destes sistemas.  A alternativa é comprar máquinas certificadas no exterior com índices de eficiência que atendam a ASHRAE 90.1 de 2016, que acaba de ser lançada. Contudo, não basta a máquina ser eficiente, o projeto e o estudo das condições de operação em carga parcial são importantes para que o sistema opere sempre em condições de alta eficiência.

     - O Brasil está equiparado tecnologicamente com outros países?


    Sim e não. No Brasil temos um sistema de etiquetagem de edifícios comerciais que nos daria condições de especificar edifícios de alto desempenho, porém, ele não é obrigatório e, com isto, ainda pouco usado. Ainda não temos benchmarks de consumo em uso para todas as tipologias, mas estamos os desenvolvendo com o CBCS (Conselho Brasileiro da Construção Sustentável) e, na sequência, precisariam de uma política pública tornando o seu uso também obrigatório.

    Para os splits, precisaríamos aumentar substancialmente o índice mínimo de eficiência e regulamentar a medição em carga parcial para valorizar os inverters. Em sistemas de condicionamento de grande porte, precisamos implantar a obrigatoriedade de medição de eficiência. Resumindo, sim sabemos o que precisa ser feito e os fabricantes têm a tecnologia, mas não temos recebido atenção do governo na parte regulatória e de obrigatoriedade. Espero que o acordo de Paris ligado às mudanças climáticas faça o governo entender a premência de lidar com estes assuntos.

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