Simpósio Danfoss

  • Entrevista com Frank Amorim do Ministério do Meio Ambiente

    Frank Amorim: Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Brasília e pós-graduado em Gestão Pública Ambiental pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. Desde 2008 ocupa o cargo de Analista Ambiental no Ministério do Meio Ambiente onde exerce suas funções na Gerência de Proteção da Camada de Ozônio;

    - Quais ações o Ministério do Meio Ambiente tem implementado para conscientizar sobre os HCFCs no setor de refrigeração?
    O Ministério do Meio Ambiente, no âmbito do Protocolo de Montreal, atua como Unidade Nacional de Ozônio (NOU) e tem como responsabilidade coordenar as ações de eliminação do consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs). Em relação à eliminação do consumo de HCFCs, o Governo brasileiro instituiu o Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), que foi divido em etapas de implementação, para a eliminação completa do consumo de HCFCs até 2040. A Etapa 1 do PBH, aprovada em julho de 2011, contemplou recursos para a eliminação do consumo de HCFCs em 16,6% sobre a linha de base (média do consumo de 2009 e 2010) até 2015. A Etapa 2, aprovada em novembro de 2015, prevê a eliminação de mais 34,96% do consumo de HCFCs até 2021.

    No âmbito do PBH foi prevista a realização de capacitações e treinamentos de técnicos do setor de serviços de refrigeração e ar condicionado. Até o momento foram capacitados 4.659 técnicos do setor de refrigeração para a aplicação das boas práticas na refrigeração visando a redução dos vazamentos de HCFC-22 (R22), num total de 4.900 previstos na Etapa 1 do PBH. Para a Etapa 2, está prevista a capacitação adicional de 8.238 técnicos para aplicação das boas práticas na refrigeração, além da capacitação de 1.000 técnicos do setor para a utilização de fluidos refrigerantes alternativos ao R22, com abaixo potencial de aquecimento global. Para as capacitações foram desenvolvidos diversos materiais técnicos, tais como apostilas de treinamentos, guias de boas práticas e publicações técnicas para utilização de fluidos naturais. Esses materiais estão disponíveis no sítio do MMA (www.mma.gov.br/mma) e no website www.boaspraticasrefrigeracao.com.br. As ações do MMA para o setor de serviços de refrigeração são implementadas com o apoio do Governo da Alemanha, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ).

    Além das ações de capacitação, na Etapa 2 do PBH está prevista a redução do consumo de R22 no setor de manufatura de equipamentos de refrigeração e ar condicionado, com o apoio da agência implementadora UNIDO (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial). No setor de refrigeração comercial está prevista assistência técnica para até 20 empresas para a utilização de alternativas com baixo potencial de impacto ao sistema climático global, incluindo a doação de equipamentos para a utilização dessas novas substâncias.

    - Quais são os substitutos dos HCFCs no setor em supermercados?
    O Ministério do Meio Ambiente tem apoiado a adoção de substâncias com baixo potencial de aquecimento global, segundo diretrizes estabelecidas pelo Protocolo de Montreal para o apoio financeiro à conversão de empresas consumidores de HCFCs em países em desenvolvimento, como o Brasil. Em virtude disso, os fluidos frigoríficos (refrigerantes) naturais, tais como o CO2 e os hidrocarbonetos (HCs) merecem destaques. Durante a implementação da Etapa 2 do PBH, haverá capacitações e apoio ao desenvolvimento de projetos com essas substâncias.

    - Como está o processo de eliminação dos HCFCs no Brasil?
    O Brasil tem se mantido em cumprimento com as metas acordadas com o Protocolo de Montreal por meio da Instrução Normativa do Ibama IN-14 publicada em 20 dezembro de 2012. Em 2015, o País deveria diminuir em 16,6% as importações de HCFCs, porém dados reais mostraram que a redução foi de 22,71% sobre a linha de base, indicando menor consumo da substância pelos setores do que o estipulado pela IN-14. Com a aprovação da Etapa 2 do PBH, que está em fase inicial de implementação, a redução na importação de HCFCs será de 51,56% em 2021, em consonância com o acordo entre Brasil e Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal, realizado em dezembro de 2015.

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