Simpósio Danfoss

  • Entrevista com Sérgio Lamarca Leite, engenheiro da Ghenova

    - Quais são as tendências tecnológicas para soluções híbridas em naval e offshore?

    A tendência é cada vez mais buscar a eficiência energética nos navios, não só no mercado offshore, mas também no mercado naval convencional, com a normativa da Organização Marítima Internacional (IMO), do Comitê de Proteção ao Meio Ambiente Marinho (MEPC), resolução com o propósito de reduzir em 30%, até 2025, o consumo de energia dos navios. A nova regra se aplica a navios com 400 AB ou mais, construídos a partir de 2013.

    Nessa direção, surge um mercado de inovações tecnológicas buscando soluções não convencionais e híbridas para atender a essa demanda. As inovações começam com o uso cada vez mais popular da propulsão elétrica com combustíveis convencionais e gás natural. Será também a substituição de motores elétricos convencionais por motores e alto toque e baixa rotação usando tecnologia de imãs permanentes para aplicações em acionamento propulsão, de guinchos, guindastes, tampas de escotilhas, bombas de carga etc.

    Outro item de pesquisa importante é a redução de perdas de energia nos cabos elétricos com a utilização de novos materiais. As perdas em cabos elétricos convencionais superam as perdas mecânicas das caixas redutoras nos sistemas de propulsão. As soluções híbridas passam por um campo de pesquisa e da oportunidade de serem utilizadas para que tenhamos resultados e banco de dados sobre a eficácia das mesmas. Estamos somente no começo de uma nova era de soluções para o mercado naval e offshore.

    - Quais são os diferenciais dessas tecnologias se comparadas com as convencionais?

    Os diferenciais entre as tecnologias estão no custo, na redução de tamanho e peso das instalações e na eficiência energética. Se fizermos, por exemplo, uma matriz de relevância entre as tecnologias, vamos observar que os custos mais elevados das soluções híbridas de propulsão nos navios de apoio offshore tipo AHTS compensam em muito o gasto de combustíveis dessas embarcações quando as mesmas estão em operação de DP, em comparação às embarcações de propulsão convencional. Isso porque podemos desligar os motores principais e operar com geradores de eixo que são utilizados como motores elétricos acionados pelos grupos geradores da embarcação, ou seja, custos de investimentos maiores (CAPEX) e custos operacionais menores (OPEX). Na realidade, em cada embarcação e navio há suas particularidades que precisam ser analisadas para se “medir” os diferenciais das soluções tecnológicas.

    - O segmento naval e offshore enfrenta quais desafios quanto as tecnologias?

    Passada a fase da mudança cultural em torno do uso das inovações tecnológicas, o grande desafio das novas tecnologias é a redução de custo sem perda da qualidade do produto, tornando acessível as tecnologias híbridas aos usuários em um modo geral.

    Citando um exemplo novamente o caso de um navio de apoio marítimo AHTS, o principal desafio será a mudança de paradigma de acionamento de guinchos de manuseio de âncoras de eletro-hidráulico para elétrico, por meio de motores elétricos de alta performance de torque com baixa RPM utilizando motores elétricos com imãs permanentes. Para isso deverá haver uma diminuição de consumo de energia pela redução das perdas por aquecimento dos sistemas elétricos e eletrônicos. Novos produtos e tecnologias precisarão ser desenvolvidas para acompanhar essa mudança. No caso dos navios sondas, o campo se torna mais fértil para utilização desse tipo de inovação, com significativa mudança de peso dos equipamentos de acionamento dos aparatos de perfuração. Os desafios são a durabilidade, os custos de manutenção e a mão de obra especializada em novas tecnologias de acionamento e controle.

    - Gostaria de acrescentar outras informações?

    O mercado de embarcações de apoio marítimo para a exploração de petróleo offshore ocasionou a vinda de inúmeras soluções tecnológicas para atender a demanda cada vez mais exigente da prospecção em águas ultraprofundas. As necessidades operacionais e as recomendações das sociedades classificadoras passaram a exigir dos armadores e estaleiros a adoção de novos enfoques às embarcações para que obtenham a performance operacional de suprimento e serviços offshore. Os principais enfoques são:

    - Dynamic Positioning System (DP);
    -  Failure Mode and Effect Analysis (FMEA);
    - Clean Design;
    - Green Passaport;
    - Energy Efficiency Design Index (EEDI);
    - Labour Standard ILO.

    A redundância de equipamentos, a automação e a supervisão em tempo real das condições operacionais obrigaram aos fabricantes de equipamentos a darem um salto qualitativo em seus equipamentos e sistemas, principalmente os considerados essenciais aos navios e embarcações. Os sistemas híbridos do sistema de propulsão somados aos thrusters laterais ou telescópicos trabalhando em condição DP são a síntese das inovações aplicadas e em constante aperfeiçoamento operacional, estando no topo do atendimento as necessidades operacionais dos navios e embarcações offshore.

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